quarta-feira, 18 de março de 2015

 O Desprezo, um filme em sintonia com os nossos desejos.

Um dos filmes mais aclamados da Nouvelle Vague e, me arisco a dizer que até mesmo dos anos 1960, dirigido por Jean-Luc Godard, nos traz duas coisas: o romance e a futilidade do cinema, e o romance a futilidade do amor. No entanto, o que não fica bem claro é se o próprio Godard sabia a diferença das duas coisas. Sua paixão pelo sistema de arte que escolheu é tão volátil e intensa quanto qualquer caso de amor. A crueza dessa paixão é o que torna o filme tão interessante, mesmo 50 anos depois de seu lançamento. O ator Michel Piccoli interpreta Paul, que enfrenta problemas em casa e no trabalho, ele é um escritor obscuro envolvido num projeto impossível, adaptar 'A Odisseia' de Homero, para ser dirigida pelo consagrado diretor Fritz Lang, que interpreta a si mesmo, e produzida por um americano de pavio curto, Jack Palance. Enquanto isso, Paul começa a se afastar de sua mulher, o que é meio difícil de acreditar, pois ela é interpretada pelo maior símbolo sexual de sua geração: a legendária atriz francesa Brigitte Bardot.

Godard foi um dos principais diretores da Nouvelle Vague francesa, e já no começo dos anos 1960, tentava levar o cinema francês a um caminho novo e radical. O desprezo é interessante pois combina as qualidades de vanguarda com ambições especialmente comerciais.

Brigitte Bardot e Michel Piccoli


Os filmes de Godard são muito interessantes, muitas vezes chegam a ser irritantes, mas nunca uma coisa só. O Desprezo é um melodrama sexual, uma meditação consciente sobre a natureza do cinema, uma paródia sobre as convenções e produções milionárias de Hollywood e, principalmente, uma celebração da beleza em suas mais variadas formas.

Recentemente, o manuscrito do filme foi vendido em Paris por cerca de 2 milhões de Euros. 


Confira o tailer de 1963:


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